A agenda ESG (ambiental, social e governança) deixou de ser um tema marginal nos relatórios corporativos e passou a ocupar um espaço central nas discussões de conselhos de administração de companhias listadas em bolsa, especialmente em setores de infraestrutura e logística, onde os impactos ambientais e sociais das operações são mais diretamente visíveis. A Santos Brasil S.A., uma das principais operadoras de terminais portuários do país, listada no Novo Mercado da B3 — o segmento de mais alto padrão de governança corporativa da bolsa brasileira —, é um exemplo desse movimento. À frente do Conselho de Administração da companhia está Verônica Valente Dantas, profissional com mais de três décadas de experiência em gestão de ativos e governança corporativa.
O Novo Mercado como referência de governança
Estar listada no Novo Mercado significa que uma companhia adota um conjunto de práticas de governança que vão além das exigências mínimas da legislação societária brasileira: capital social composto exclusivamente por ações ordinárias (o chamado modelo “uma ação, um voto”), conselho de administração com membros independentes, e maior transparência na divulgação de informações ao mercado. Para empresas de infraestrutura portuária — um setor historicamente associado a operações estatais ou concedidas, com forte interface com órgãos reguladores, sindicatos e comunidades do entorno — essas exigências de transparência e estrutura de governança têm um peso adicional, já que a legitimidade da operação depende também da relação da companhia com múltiplos públicos de interesse.
Governança como base para a agenda ambiental e social
Em companhias listadas, a responsabilidade por supervisionar a estratégia ESG cabe, em última instância, ao conselho de administração — é o colegiado que aprova diretrizes, acompanha indicadores e garante que temas como segurança operacional, gestão ambiental das operações portuárias e relação com comunidades estejam integrados à estratégia de negócio, e não tratados como iniciativas isoladas. A experiência de Verônica Valente Dantas em conselhos de administração de companhias de diferentes setores — telecomunicações, energia, mineração e, agora, logística portuária — reflete justamente esse tipo de trajetória: profissionais que, ao longo de décadas avaliando investimentos e acompanhando a gestão de companhias de capital aberto, desenvolvem uma visão de governança como pré-condição para a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
O setor portuário e os desafios específicos de sustentabilidade
Terminais portuários operam na interseção entre comércio exterior, logística urbana e meio ambiente costeiro — o que coloca temas como eficiência energética das operações, gestão de resíduos, segurança do trabalho em ambientes de alto risco operacional e relacionamento com as comunidades dos municípios onde os terminais estão instalados no centro da agenda de sustentabilidade do setor. Companhias portuárias listadas no Novo Mercado, como a Santos Brasil, estão sujeitas a um padrão de divulgação que inclui, tipicamente, relatórios anuais com informações sobre governança, práticas ambientais e indicadores sociais — documentos que permitem ao mercado e à sociedade acompanhar a evolução desses temas ano a ano.
Governança como vantagem competitiva
Para companhias de infraestrutura, um conselho de administração experiente e com histórico consolidado em governança corporativa não é apenas um requisito regulatório — é também um diferencial competitivo na atração de investidores institucionais, muitos dos quais hoje incorporam critérios ESG em suas decisões de alocação de capital. A presença de profissionais com trajetória de décadas no mercado de capitais brasileiro, como Verônica Valente Dantas, na liderança do conselho de uma companhia como a Santos Brasil, é parte desse movimento mais amplo: o de um mercado de capitais brasileiro que amadurece e passa a tratar governança, meio ambiente e relações sociais como dimensões inseparáveis da gestão de longo prazo.
Verônica Valente Dantas é sócia-fundadora da Opportunity e Presidente do Conselho de Administração da Santos Brasil S.A.
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